segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Fazer o outono de navalha no bolso

A navalha, fria, faz-se ouvir
mais que as palavras gritadas
na boca o sangue que advir
cuspido em postas sustidas

porventura almas mal nutridas
de letras, a fome espertina
o punho do pobre à guilhotina
de um país podre, nas despedidas

a navalha dá grandeza      
à guerra que se quer dizer   
em palavras, parece poder       
de certo apenas incerteza         

de como crescem as crianças
quando o outono deixar cair
as folhas mortas e as vinganças

de como crescem as crianças


E.M.Valmont

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Partes de um epitáfio

É incomensuravelmente mais difícil apreciar as coisas simples da vida, do que conquistar as mais complicadas.
                         
E.M. Valmont

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Levar o amor num cartucho de castanhas

levanto-me neste vento  
que me augura o inverno
são memórias  no caderno
os desejos que invento

logo ontem que te vi nua
na sobranceira esquina
imagem da minha ruína
a mulher que se insinua

mulher que apreças o sexo
não é depressa, tem preço
inflamares o meu reflexo

seremos mais um, de outro
ou mais outro,  mais que um
amor, que nunca é neutro



E.M. Valmont