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sábado, 29 de novembro de 2014

Folhas soltas



Sentado no banco de madeira
o tempo a aguardar o desenrolar da vida
a queda das folhas e o badalar
dos sinos, que o envie para casa

a imaginar as linhas aleatórias
pendem das caudas das folhas que caem
parece que experimentam esferográficas
em folhas de papel quedas de sentido

porque estão tão vazias as folhas
as ideias e os ideais
dos homens e dos demais
os que me querem furtar o tempo

e as folhas que caem
e as que permanecem por escrever
sem tempo, sem folhas
sentado num banco de madeira
a aguardar o desenrolar da vida
ou outra coisa qualquer
mais simples que viver ou esperar
mais simples que cair
como uma simples folha em branco
que sem destino
se prostitui ao vento
a mim que a espero, me cria algum desalento


E.M.Valmonte

terça-feira, 10 de junho de 2014

Fim de tempo

há um tempo
que passa
pelos homens
sem tempo
escondido nos bolsos
coçados do tempo
de tanto tempo
que por lá passou

há um resto de tempo
que não passa
porque passou
não passa
porque doeu
a passar
… devagar

falta o fim
do tempo que falta
a chegar
ao

fim

E.M.Valmonte

segunda-feira, 12 de maio de 2014

As feridas antigas sangram sempre mais



o tempo que demora
a  vida, depende da pressa
que ela tem, encurta por fora
o  tempo, à mentira confessa

o mais velho tem menos vontade
que o seu próprio tempo de viver
tem menos pressa de correr
que a vida se agarre à saudade

ao mais novo, a força da ilusão
que um dia, dura uma vida
inteira, da parte que não for sofrida
que o sofrer, sofre por intrusão

hoje parece o dobro
que amanhã metade
é pouco
para enterrar

  
E.M Valmonte


(fotografia de E.M. Valmonte)